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ABRINDO A TRILHA

Na Serra da Mantiqueira, em Piracaia, São Paulo, a RPPN Lafigueira ocupa um fragmento vivo da Mata Atlântica. Oficializada em 30 de maio de 2017 pelo ICMBio, tornou-se a primeira unidade de conservação privada do município. O que poderia ter permanecido apenas como propriedade particular recebeu outra destinação: tornar-se uma reserva voltada à conservação da natureza e à proteção de diferentes formas de vida. No cotidiano da Lafigueira, a conservação se afirma como prática concreta: um modo de criar relações mais atentas entre pessoas, território, biodiversidade e os processos vivos que estruturam aquele lugar.

É nesse território que nasce a Lafigueira Casa Floresta: uma casa de hospedagem voltada à comunicação, à arte e à pesquisa. Inserida na área preservada da RPPN, recebe residências, seminários e imersões, oferecendo hospedagem, alimentação e serviços de apoio em uma estrutura preparada para grupos. O espaço acolhe projetos ligados ao corpo, à imagem, à música, à cena e aos estudos ambientais, em diálogo com a natureza ao redor e com as práticas de manejo que contribuem para a conservação da fauna, da flora e dos processos ecológicos da reserva.

CONSERVAÇÃO E PRESERVAÇÃO

Estudos indicam que entre 70% e 90% da biodiversidade ainda desprotegida nos hotspots globais está localizada em terras privadas. No Brasil, apenas 32% da vegetação nativa remanescente encontra-se em Unidades de Conservação e Terras Indígenas, enquanto 68% permanece em áreas privadas ou sem titulação definida. Esses dados reforçam o papel estratégico das reservas privadas na proteção da biodiversidade e na construção de novas formas de conservação.

Na reserva Lafigueira, arte, ecologia e conhecimento se encontram em ações que aproximam corpo, ambiente e pensamento. São residências, encontros, seminários e projetos promovidos por pessoas, coletivos, instituições e associações interessados em práticas interdisciplinares ligadas à sustentabilidade, comunicação e preservação ambiental. Cada iniciativa amplia modos de perceber o território, produzir conhecimento e agir em relação ao comum e à natureza.

ESTRUTURA E TOPOLOGIA

Hospedar-se na Casa Floresta é viver uma estada reservada, confortável e em contato direto com a Mata Atlântica. A casa combina arquitetura de linhas limpas, espaços amplos, decks e pontos de observação voltados para a floresta e a represa, em proximidade com a área preservada da RPPN. Seus espaços foram pensados para receber grupos dedicados à criação, ao descanso e à reflexão, com soluções sustentáveis integradas ao cotidiano e práticas de baixo impacto, em coerência com os processos ecológicos da reserva. A proposta reúne qualidade de hospedagem, compromisso ambiental e uma permanência marcada por privacidade, atenção aos detalhes e relação direta com a paisagem.

As refeições são preparadas no próprio local, com uma proposta gastronômica contemporânea que valoriza ingredientes locais, produtores da região e modos de preparo ligados ao território. Os cardápios podem ser cocriados com a equipe da Lafigueira, de acordo com o perfil do grupo, as restrições alimentares e a dinâmica de cada residência, seminário ou imersão.

ARTES DO CORPO

Inspirada na estrutura técnica dos estúdios de dança, a sala de práticas combina amplitude, versatilidade e piso adequado à absorção de impacto. O espaço foi pensado para receber ensaios, apresentações, workshops, seminários e encontros de pesquisa, criação e comunicação, com conforto para atividades corporais e formatos interdisciplinares.

ATUAÇÃO E FOMENTO

SERVIÇOS AMBIENTAIS (PSA) – FUNDAÇÃOFLORESTAL / SIMA
Em 2021, a Lafigueira foi selecionada no Edital de Chamada nº 01/2021 da Fundação Florestal, vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo(SIMA). A iniciativa reconheceu a relevância ambiental da reserva e contribuiu para o fortalecimento da sua gestão e proteção contínua, por meio de um cronograma de atividades que envolviam sinalização e manejo de espécies invasoras, cercamento, aceiros e proteção de nascentes.projeto deu origem à Associação de Moradores Reserva do Pinhal, um coletivo responsável pela gestão de um conjunto de proprietários rppnistas no entorno imediato da Lafigueira, formando um mosaico de proteção no seu lado norte. Essa articulação expande a área preservada e fortalece uma rede comunitária comprometida com a conservação ambiental e o cuidado com o comum.

EDITAL DE APOIO ÀS RPPNS NA BACIA DO MÉDIOTIETÊ
FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA
Em 2025, a reserva foi novamente contemplada, dessa vez pelo edital da Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria coma Simbiose Ambiental de Atibaia. O projeto prevê a implementação de um Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF), ampliando a capacidade de resposta da reserva frente aos desafios climáticos e fortalecendo ações de manejo integrado do território.

TERRA MUDA E ASSOCIAÇÃO RESERVA DO PINHAL
COMUNIDADE E PROTEÇÃO AMPLIADA
À luz dos valores da Lafigueira, o Terra Muda é um projeto habitacional que propõe novas formas de ocupação do território, orientadas pela ética ecológica e pelo uso compartilhado da terra para uma cultura do envelhecimento e longevidade. O projeto deu origem à Associação de Moradores Reserva do Pinhal, um coletivo responsável pela gestão de um conjunto de proprietários rppnistas no entorno imediato da Lafigueira, formando um mosaico de proteção no seu lado norte. Essa articulação expande a área preservada e fortalece uma rede comunitária comprometida com a conservação ambiental e o cuidado com o comum.

CLIMA E COORDENAÇÃO

Rodrigo Vieira é paranaense, doutorando em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. É graduado em Comunicação das Artes do Corpo pela mesma instituição. Iniciou sua formação em dança no Studio A Ballet Clássico e na Escola de Danças Clássicas do Teatro Guaíra, em Curitiba (PR). Em 2001, integrou companhias de dança contemporânea na Europa, como o Ballet Gulbenkian (Lisboa), Rui Horta (Lisboa e Porto) e Gelabert Azzopardi (Barcelona). Desde 2008, em São Paulo, direciona sua pesquisa para o corpo, a cena e a ecologia. Em 2014, aproximou-se da dança do passinho nas comunidades cariocas, atuando como coreógrafo no espetáculo Na Batalha – O Passinho como você nunca viu. Entre suas obras coreográficas estão Se piscar já era (2021), É na batida (2017), Os Clássicos do Passinho (2017) e #Passinho (2015), apresentadas no Brasil, na Suíça e nos Estados Unidos. Saiba mais.

Thomas Brieu é franco-brasileiro, graduado em Socioeconomia pela Université Paris IX – Dauphine e pela Universidad Autónoma de Madrid (1994). Possui MBA em Agronegócios pelo Institut National Agronomique Paris-Grignon – INA PG e pela École Supérieure de Commerce de Reims – ESC Reims (1996). É mestre em Energias e Biocombustíveis pela Universidade de São Paulo – USP (2009). É autor e coautor dos livros Escute, expresse e fale (Editora Rocco, 2023) e Escutatória (Editora H1, 2024). Com trajetória consolidada no ambiente corporativo e dedicação contínua à pesquisa e ao ensino da escuta aplicada à comunicação, foi formado pela escola suíça Krauthammer e certificado pelas abordagens Talk Lean (Interactifs – França), DO IT (França), DISC (Thomas International) e PCM – Process Communication Model. Desenvolveu um método próprio de escutatória, voltado à identificação de padrões de linguagem cooperativos e não produtivos, promovendo estratégias comunicacionais baseadas em empatia, assertividade e negociação colaborativa. Saiba mais.

PARCEIROS

ICMBIO – INSTITUTO CHICO MENDES
DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
Órgão responsável pelo reconhecimento e fiscalização das RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) no Brasil. A RPPN Lafigueira foi oficialmente reconhecida por meio da Portaria, publicada no DOU, em 30 de maio de 2017.

FUNDAÇÃO FLORESTAL / SIMA – SECRETARIA DE
INFRAESTRUTURA E MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
Parceira no âmbito do Edital de Chamada nº 01/2021, que integra o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). A proposta apresentada pela Lafigueira foi contemplada e resultou no fortalecimento da sua proteção e gestão ambiental.

FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA
& SIMBIOSE AMBIENTAL DE ATIBAIA
Parceiras no edital de apoio às RPPNs da Bacia do Médio Tietê. A proposta contempla a elaboração e implementação de um Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF), com início em 2025, ampliando a resiliência e a capacidade de manejo da reserva.

SIMBIOSE AMBIENTAL DE ATIBAIA
A Associação Serra do Itapetinga – Movimento pela Biodiversidade e Organização dos Setores Ecológicos (SIM-BiOSE) é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), sem fins lucrativos, voltada à promoção da conservação ambiental, da cultura e da cidadania.

APRP – ASSOCIAÇÃO DE PROPRIETÁRIOS DA RESERVA DO PINHAL
Associação formada por proprietários e residentes das áreas que compõem um conjunto de RPPNs vizinhas à Lafigueira, na porção norte da reserva. Essa articulação contribui para a formação de um cinturão de proteção contínua e colaborativa, ampliando o alcance das ações de preservação e governança ambiental.

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